Empresas recebem capacitação em pegada de carbono

Iniciativa Ciclo de Vida Aplicado (CiViA) promoveu em março mais um encontro de capacitação de empresas membro no desenvolvimento de estudos de pegada de carbono de produtos 22/03/2017
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Por Bruno Toledo (GVces)

Uma empresa interessada em entender os impactos reais de seus produtos e serviços sobre o clima global não deve se limitar apenas à contabilização de suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) e ao desenvolvimento do inventário. Ela precisa ir além de seus limites operacionais e pensar no impacto associado àquilo que ela disponibiliza para o mercado no médio e no longo prazo. Ou seja, para ter noção do peso real de um dado produto ou serviço sobre o clima global, a empresa precisa mensurar e quantificar seu impacto climático ao longo de sua cadeia de valor, contemplando todo o ciclo de vida - a sua "pegada de carbono".

Muitas organizações ainda têm dificuldades em lidar com a ideia de ciclo de vida, uma questão relativamente nova na agenda corporativa brasileira de sustentabilidade. Por isso, desde 2015, o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV EAESP (GVces) desenvolve a Iniciativa Ciclo de Vida Aplicado (CiViA), voltada para auxiliar as empresas na incorporação do pensamento de ciclo de vida na sua gestão, disseminando seus conceitos e sua aplicação no mapeamento e análise de externalidades, além de fomentar a quantificação e a gestão dos impactos ambientais por meio da abordagem de ciclo de vida.

Para iniciar o ciclo 2017 de atividades, a CiViA promoveu nos dias 07 e 08 de março uma capacitação em métodos de quantificação de pegada de carbono para representantes de suas empresas membro. Esses profissionais receberam treinamento especializado para elaboração de estudos de pegada de carbono de produtos e tiveram acesso a ferramentas e conceitos necessários para o desenvolvimento desses estudos nos próximos meses.

"É importante termos clareza sobre nosso impacto sobre o meio ambiente", afirma Juliana Prosdossimo, analista socioambiental da área de telecomunicações da COPEL, uma das participantes da capacitação. No ciclo 2016 da CiViA, a COPEL realizou um projeto de pegada de carbono de uma planta eólica de geração de energia, e a ideia neste ciclo é fazer um novo estudo de pegada de carbono de um produto da área de telecomunicações da empresa. "Precisamos desmistificar a ideia de que telecom não tem impacto climático, informando nosso público que temos um impacto e que estamos conscientes disso". 

Para Jonerson Neri, do Grupo Moura (uma das novas empresas membro da Iniciativa), a capacitação da CiViA em pegada de carbono abre novos horizonte para a empresa entender seus impactos e lidar com eles. "Estamos começando a trabalhar com ciclo de vida, com o objetivo de nos antecipar a futuras demandas do mercado, de nossos clientes".

A capacitação em pegada de carbono também é uma oportunidade para os profissionais das empresas membro atualizarem seu conhecimento sobre o tema e adquirir novas perspectivas em matéria de gestão de impactos ambientais. "Para mim, o treinamento foi muito proveitoso, eu não tinha noção de que o mundo estava discutindo isso", afirma Pedro Arroyo, da Fibria. "Participar dessa capacitação foi importante para mim enquanto profissional, para levar essa visão para dentro da empresa e vender isso internamente, e também como cidadão, para entender melhor o impacto do meu consumo".

Como próximos passos, as empresas membro poderão escolher um bem de seu portfolio ou serviço prestado para desenvolver um estudo de pegada de carbono. Esta atividade será conduzida pela própria empresa, com suporte técnico da equipe da CiViA. "O objetivo dos projetos é tangibilizar os conhecimentos vistos em sala de aula, colocando em prática a pegada de carbono. Este é o primeiro passo para que, no futuro, as empresas possam usar esta ferramenta como parte integral de sua gestão em sustentabilidade” afirma Beatriz Kiss, gestora da CiViA.

Fotos: Divulgação GVces