CiViA explora a comunicação no contexto de ciclo de vida em oficina

Durante o encontro, os participantes discutiram como a comunicação acontece nas diferentes fases de um estudo de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV) e conheceram mais sobre os conceitos e as tendências da rotulagem ambiental no Brasil e no mundo 18/07/2017
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Oficina da CiViA explorou os desafios e as possibilidades da comunicação baseada em ACV, além das tendências sobre rotulagem ambiental (Divulgação GVces)

Por Bruno Toledo (GVces)

Atualmente as empresas enfrentam diversos desafios na hora de comunicar os aspectos sustentáveis de seus bens e serviços. Como comunicar sustentabilidade sem "cair na vala" do greenwashing? Como traduzir informações técnicas sobre temas relativamente complexos de uma maneira crível e compreensível para os diferentes públicos de interesse da empresa?

A Iniciativa Empresarial do GVces Ciclo de Vida Aplicado (CiViA) explorou esta e outras questões relacionadas à comunicação da ACV em oficina realizada no dia 27 de junho na FGV EAESP, em São Paulo. Com a presença de representantes de organizações membros da CiViA, a equipe do GVces discutiu como a comunicação acontece antes, durante e depois de um estudo de ACV, além de apresentar um panorama sobre os conceitos e as demandas por rotulagem ambiental no Brasil e no mundo.

A oficina contou com a participação de Simon Gmünder, especialista da Quantis – organização que apoia empresas na definição e implementação de soluções ambientais sustentáveis e de estratégias, métricas e ferramentas para comunicação de ACV – que falou sobre a rotulagem ambiental no cenário internacional.

Para as empresas participantes, a oficina também foi uma oportunidade para se orientarem na preparação de suas estratégias de comunicação relacionadas aos estudos de pegada de carbono e pegada hídrica que estão sendo desenvolvidos neste ano dentro da Iniciativa.

A importância da informação

"Precisamos ter um cuidado especial na hora de comunicar qualquer informação ambiental. Precisamos nos preocupar com quem vai receber a informação, se esta pessoa vai conseguir interpretá-la da maneira que queremos, se a informação está suficientemente clara para o público alvo, e se ela está crível, baseada em método científico. Estas decisões são importantes e precisam ser feitas de maneira integrada aos objetivos do próprio estudo".

Beatriz Kiss, pesquisadora do GVces e gestora da CiViA

Para se tomar qualquer decisão associada a consumo, precisamos ter informação sobre os produtos disponíveis no mercado. Qualquer tipo de consumidor, desde o corporativo (business to business, B2B) até o individual (business to consumer, B2C), depende da informação disponibilizada pelo produtor ou prestador de serviço para decidir qual das opções no mercado será escolhida.

Nos últimos anos, a preocupação com aspectos socioambientais ganhou espaço entre os consumidores, que demandam cada vez mais das empresas informações sobre os impactos ambientais associados a um dado produto disponibilizado por elas. O pensamento de ciclo de vida, estruturado a partir de estudos de ACV, pode ajudar as empresas na obtenção deste tipo de informação e na sua disponibilização ao público.

Rótulos e Rotulagem: a comunicação externa de informações ambientais

"Enquanto consumidores, nós queremos informações claras, relevantes, transparentes, que nos digam algo sobre os reais impactos de um bem ou serviço. No entanto, dificilmente recebemos este tipo de informação das empresas. Muitas vezes, o que nos chega sofre com aspectos frágeis, como falta de comprovação, vagueza nos termos, rotulagem falsa, irrelevância e trade-offs escondidos, entre outros problemas".

Simon Gmünder, especialista da Quantis, durante a oficina da CiViA

A forma mais comum de comunicar informações ambientais é por meio dos rótulos, que são voltados para com o consumidor final, e esses podem ser do tipo I ou tipo II. O primeiro está relacionado a algum programa existente, como o FSC®, em que a empresa tem que demonstrar que segue certos parâmetros estabelecidos para poder receber e comunicar a certificação. O segundo trata-se de informações autodeclaradas, como o uso de matérias primas renováveis em substituição às fósseis, e que não exigem nenhum tipo de verificação por terceira parte.

A proliferação desses rótulos e declarações ambientais em todo o mundo nos últimos anos – hoje existem mais de 400 rótulos ambientais –, com regras e fundamentos distintos um dos outros, abre bastante espaço para confusão, desinformação e ceticismo por parte dos consumidores sobre a qualidade da informação que está sendo expressa por cada um deles, atuando de forma contrária ao objetivo original desses rótulos.

Um terceiro tipo de comunicação é a rotulagem tipo III, mais voltada aos compradores institucionais. Essa também acontece dentro de um programa e é baseada em estudos de ACV. Desse estudo é produzido uma Declaração Ambiental do Produto (DAP) com as informações dos impactos preestabelecidos para o produto em questão, que é então verificada por terceira parte e certificada pelo operador do programa. Essas declarações são importantes para incentivar a melhoria contínua de produtos, uma vez que benchmarks dentro dos setores podem ser estipulados. Esses programas vêm se consolidando no cenário internacional, de forma que em breve podem afetar países que comercializam produtos dentro desses mercados. O exemplo mais evidente é o da União Europeia, que vem estabelecendo o Product Environmental Footprint (PEF), programa no qual diversos estudos piloto se encontram em estágio final e que pode se tornar a base para as exigências de informações ambientais futuras.

Próximos passos

Passadas as capacitações em pegada de carbono e pegada hídrica, as empresas membros da CiViA estão desenvolvendo seus estudos sobre impactos de determinado bem ou serviço sobre o clima e/ou recursos hídricos, sob orientação da equipe da CiViA. Os estudos deverão ser concluídos no final de 2017.

Além do desenvolvimento dos projetos de pegada de carbono e pegada hídrica, a CiViA promoverá uma oficina sobre ferramentas e softwares de ACV no fim de agosto na FGV EAESP.

Acompanhe aqui as atividades da CiViA no ciclo 2017.