Ciclo de Vida Aplicado: Oficina abre trabalhos da CiViA em 2015

Empresas e especialistas se reúnem para discutir análise de ciclo de vida (ACV) e pegada de carbono no primeiro encontro da nova iniciativa empresarial do GVces – Ciclo de Vida Aplicado (CiViA) 04/03/2015
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Por Bruno Toledo (GVces)

Mario Monzoni, coordenador do GVces, faz a abertura do Ciclo 2015 da CiViA

A cultura de inventários corporativos ganhou bastante espaço dentro das empresas brasileiras nos últimos anos. Esses documentos têm servido como base para estabelecer uma gestão mais efetiva do carbono em suas operações diretas e indiretas, dando subsídios para estratégias de redução de emissões relacionadas ao processo produtivo. No entanto, para muitas empresas, ainda falta o passo seguinte: mensurar e quantificar o impacto climático de seus produtos e serviços para além das suas fronteiras, contemplando todo o seu ciclo de vida. É para auxiliá-las nessa tarefa que o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP (GVces) criou sua mais nova iniciativa empresarial, a CiViA – Ciclo de Vida Aplicado.

Em oficina realizada no dia 24 de fevereiro na FGV, em São Paulo, a CiViA reuniu representantes de empresas e especialistas em análise de ciclo de vida (ACV) para apresentar sua proposta de trabalho para 2015 e debater a importância da ferramenta de ACV para administrar os impactos ambientais de um produto não apenas no carbono, mas em outras categorias, como uso da terra e de recursos naturais. Essa oficina introdutória contou com a presença de Laércio Romeiro, da Associação Brasileira de Análise de Ciclo de Vida (ABCV); de João Lampreia, da CarbonTrust; e de Luciana Betiol, coordenadora do programa Consumo e Produção Sustentáveis do GVces.

A CiViA

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Anunciada em dezembro passado, a CiViA inicia suas atividades em 2015 com uma proposta inovadora no Brasil. “Nossa ideia é auxiliar as empresas a incorporar o pensamento de ciclo de vida na gestão empresarial, disseminando os conceitos e sua aplicação no mapeamento e análise de externalidades, e fomentar a quantificação e gestão dos impactos ambientais, por meio da abordagem de ciclo de vida”, explica Beatriz Kiss, pesquisadora do GVces e coordenadora da CiViA. “Como o próprio nome já diz, traremos uma abordagem prática e aplicável à realidade empresarial, facilitando o entendimento e a obtenção de resultados”.

A CiViA é a 5ª iniciativa empresarial liderada pelo GVces – as outras quatro são a Plataforma Empresas pelo Clima (EPC), a Desenvolvimento Local e Grandes Empreendimentos (ID Local), o projeto Inovação e Sustentabilidade na Cadeia de Valor (ISCV), e a Tendências em Serviços Ecossistêmicos (TeSE) – que reforça sua proposta de atuação em rede junto a governos, empresas e sociedade civil. “Acreditamos que a construção de soluções em rede é mais efetiva e representativa do que caminhos individuais”, argumenta Mario Monzoni, professor da FGV-EAESP e coordenador-geral do GVces.

Esta iniciativa também aproveita bastante a experiência desenvolvida pelo GVces no tema de ciclo de vida nos últimos anos. De acordo com Mario Monzoni, “aCiViA converge algumas frentes importantes de atuação do GVces, em particular nossas experiências em ciclo de vida aplicado do nosso programa Consumo Sustentável e o trabalho desenvolvido na área de inventários corporativos pelo Programa Brasileiro GHG Protocol”.

Neste primeiro ano de atividade, o foco de trabalho da CiViA será em uma categoria de impacto ambiental:mudanças climáticas, a partir da quantificação do carbono ao longo do ciclo de vida dos produtos.No entanto, a ideia para os próximos anos é expandir a agenda para outras categorias da ACV, como biodiversidade e água.

Análise de Ciclo de Vida e Pegada de Carbono

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No esforço para mensurar o real impacto ambiental de um produto, a ferramenta de ACV tem sido fundamental para obter informações confiáveis para gestão de externalidades. Ela permite qualificar o desempenho ambiental de um produto ao longo de seu ciclo de vida, identificando quantitativamente o uso de recursos naturais e o rejeito e avaliando os impactos ambientais associados a todas as etapas ao longo da cadeia.

“A análise de ciclo de vida olha para o produto, para os impactos associados a ele ao longo de toda a sua vida útil, desde a obtenção da matéria prima até sua disposição final e pós-consumo”, explica Ricardo Dinato, pesquisador do GVces e da CiViA. “Para isso, precisamos ir além das fronteiras da própria empresa, considerar os impactos do produto ao longo da sua existência mesmo quando ele não estiver mais sob o controle da empresa”.

Da mesma forma que o inventário corporativo serve como primeiro passo para a gestão do carbono dentro das operações da empresa, a ACV também serve como ponto de partida para que uma empresa desenvolva uma gestão qualificada das externalidades associadas ao seu produto – no caso de clima, a partir do cálculo da pegada de carbono desse produto. “O objetivo da ACV não é dizer se o produto é sustentável, mas sim trazer informação que nos ajude a melhorar o desempenho ambiental do produto”, argumenta Ricardo Dinato.“Assim como o inventário corporativo, a ACV é um diagnóstico, o primeiro passo para uma ação mais efetiva”.

Por fim, a ACV também é uma ferramenta importante para ajudar a empresa a se preparar para cenários regulatórios mais restritivos em questões ambientais, que poderão surgir na medida em que os esforços para redução global de emissões de carbono, água, uso do solo e outros se aproximem da realidade das economias nacionais.

Próximas atividades

Com o primeiro ciclo voltado para a questão climática e o cálculo da pegada de carbono, a CiViA dará seguimento a suas atividades com uma oficina de capacitação, a ser realizada em abril. Nessa fase, as empresas terão uma imersão nos métodos de quantificação, preparando-as para a fase de grupos setoriais de trabalho, que farão o cálculo efetivo da pegada de carbono de seus produtos em cada setor econômico.

Saiba mais sobre as atividades previstas para a CiViA aqui.

Fotos: Felipe Frezza (GVces)